Ultima atualização 20 de junho de 2008 - 10:16hs


A ELEIÇÃO.


Fatos típicos e notórios do período eleitoral vem à tona neste início de pré-campanha, gerando expectativa na comunidade dos novos ou velhos candidatos com as suas promessas e eloqüências, conforme seja a disposição do eleitor em ouvir o “salvador”.
Não tenho por dever e obediência fadar-me ao deslumbramento, nem tão pouco deixar de acreditar nos políticos. Eles deixam os seus negócios para cuidar do interesse da população.
Assim entendo como sendo o Prefeito, à luz da compreensão da verdade, que é de bem servir e atender a população e que se faz na verdade em um bom conselheiro, também, presente sempre na comunidade. São tantos interesses que vale a pena lembrar um de nossos chefes políticos ainda ali das bandas da Serra Negra, nos idos de 1.954, bem contada esta história, do candidato que tinha o nome de “Plebiscito”*, que não aparecia para os eleitores, daí, então, sem titubeio o chefe cobrou: “cadê este tal de candidato Plebiscito?” não obtendo resposta do sumido, escafedeu-se o chefe de volta para o seu longínquo sertão, e pela primeira vez na vida não viu o candidato que se chamava Plebiscito.
Sou encorajado a dizer simplesmente que acredito nos políticos, tanto assim é verdade que o cidadão ou cidadã tem estima pelo seu candidato, quer seja ele do tipo e roupagem que possui para se apresentar no espetáculo eleitoral.
Tive paixões e vi intrigas nesta vadiagem política, tudo ao seu tempo, quando vem a memória de Dr. Eduardo Nava**, Dr. Edinho, Velho Guimarães**, Tuíste e tantos outros amigos que participaram dos grandiosos comícios, tal como no de São Pedro dos Cacetes, em 1.982, quão saudade de nossa inocência e democrática participação.
E a vida continua, e lá se vem o circo da esperança, todos assistem sua passagem triunfal dos vencedores de ontem, candidatos eleitos e as promessas não cumpridas, aqui o pano do espetáculo se desfralda e na mudança de uma cena para outra aparece no picadeiro o desengano, a decepção e o isolamento, e lá se misturam os vitoriosos descontentes e os derrotados a formarem o espetáculo novamente.
Assim meu primo Ferdinando**, extremamos aqui nossos encantos, que a vida política de Grajaú é um espetáculo e temos um “plebiscito” em nosso cotidiano e a história se repete às avessas.
Até mais, amigos de sempre, fiquemos em Grajaú com nossas alegrias e decepções, e que o chefe político um dia encontre, ou seja ele o próprio “Plebiscito”.


*Plebiscito – votação do povo para solução de um problema;
** in memória – amigos para sempre

 


ITAMAR GUARÁ


Nascido no dia 20 de junho de 1.946, às 07h30min, na residência de seus pais Hiran e Maria do Carmo (Mariinha) Guará, na Rua dos Fonteneles, hoje, Frei Benjamim de Borno, onde teve a sua infância como tantas outras de sua época, fazendo seus estudos no Educandário Sagrada Família e Ginásio Gomes de Sousa, misturado com a garotada, tendo uma vida risonha, participando de todos os folguedos e tendo uma vida muito próxima da família, e que um dia teve que sair de nossa cidade e continuar seus estudos em São Luís, despertando o interesse pelo curso de Medicina, concluindo em 1.973, quando então veio até Grajaú e procurou o então Bispo de nossa cidade, Dom Adolfo, e mostrou o seu currículo e suas pretensões de vim trabalhar e juntar seus estudos acadêmicos ao experiente e servidor Frei Alberto Beretta.

 

Não foi possível, pois a Diocese de Grajaú dependia da autorização do Papa para um médico não sacerdote poder servir no Hospital São Francisco de Assis.
Sem demora, dirigiu-se até Grajaú o proprietário do Hospital São Raimundo em Imperatriz, Dr. Noleto, vindo diretamente buscar o médico recém formado Dr. Itamar Guará, com especialização em Ginecologia e Obstetrícia, em que, aceitando, seguiu para Imperatriz fazendo de seu trabalho médico a inspiração de viver e servir.


Pelo ano de 1.988, quando de sua demora em Imperatriz já estava por 15 anos, falou-me de sua pretensão de, em breve, mudar-se para Grajaú para exercitar sua medicina onde teve seu desejo a mim confessado, em uma viagem que fizemos de Grajaú para Imperatriz, assim detalhando: "olha, Batista, fiz muito em Imperatriz, mas pretendo voltar a Grajaú para atender a nossa população e ter uma vida mais tranqüila, pois vejo no Hospital São Francisco a oportunidade de trabalhar e fazer o que tenho de melhor depois de tanta experiência médica", e concluiu dizendo "quero trabalhar e ter folga para tomar banho na urna". Pouco tempo depois, e tantas outras vezes, alimentava a sua esperança contida de voltar a Grajaú.


De sobressalto, tudo aconteceu em 13 de dezembro de 1.990, permanecendo entre nós e nos assistindo permanentemente quando de sua mudança definitiva para Grajaú, embora não sendo da forma como tanto desejou.
Aqui convive, aqui participa, aqui está do nosso lado, aqui nos passa esperança, conhecimento, sabedoria, num sentido certo de não blasfemar contra a sua falta em nosso meio. Devo dizer até que a saudade tem servido de
Remédio e consolo para nossa família em sabermos que nas idas e vindas dos homens, felizes aqueles que deixam uma lacuna imensurável  e todos da família que vieram depois têm a sensatez de respeitar o nome de ITAMAR
GUARÁ.


Meu irmão, a vida em Grajaú é o reflexo que tudo que fizemos em nossa infância, mas o principal é termos a consciência de reconhecer o ponto de convergência do bem, do respeito, da dignidade, do compartilhamento, da amizade, quando em teu nome elevaram o nome de um Hospital Publico por indicação de um Vereador Francivete, residente em Formosa, procedente de Imperatriz, denominou aquela Unidade de Saúde Mista Dr. Itamar Guará, em respeito ao teu nome e uma obra de gratidão pelos serviços médicos prestado ao povo de Grajaú.


Permanecemos tal como ao tempo nos deixaste; hoje já percorre em nosso meio o José Guará, que deixastes com seis anos, que na tua partida clamei por um Ser Superior se de bom, se de bem, conduzisse suas mãos para um curso de Medicina, que pelo menos pudesse ainda atender um pouco daquelas mulheres que foram tuas clientes, que te procuram sempre em prece. Não é a tua pessoa, não é o teu espelho, não é a tua conduta, mas entregamos o José para que pelo menos tenha no tio e padrinho Itamar Guará uma presença firme e definitiva na sua vida médica, em que também escolheu a Ginecologia e Obstetrícia para seguir seu caminho profissional.


Bom, irmão, hoje pude expressar o que falo contigo nestes 17 anos, cintilando ainda uma lágrima e uma saudade imorredoura, e a dor ainda é maior quando redobra o velho sino de nossa Catedral batendo no bronze a despedida e anunciando a partida de um ente querido.
Não tenho como dizer adeus, mas sempre digo até amanhã meu amigo-irmão Itamar Guará.

03 de dezembro de 2.007
Por: João Batista Santos Guará

 


 

TRÊS IRMÃOS


Temos no Rio Grajaú, Rio Santana e Rio Mearim o tripé da esperança, ainda, existindo, correndo e banhando o Município de Grajaú, resistindo ferozmente a valentia da devastação ocorrida neste Município, em que assistimos os pequenos riachos que alimentam estes rios sufocados com a depredação do meio-ambiente que comumente se chama a “poluição do progresso”, diferentemente, de outros países que poluem produzindo riquezas, enquanto, em nosso município, a poluição produz mais miseráveis das carvoarias, das fábricas de gesso, do falso progresso, dos desmatamentos desenfreados, quebrando os encantos de nossas nascentes, dos bacurizeiros das chapadas, das sapucaias das matas verdejantes, da flor roxa e amarela dos ipês, do lençol branco na floração da taipoca, e do bando de papagaios e araras que já se foram nos estrondos das jazidas de gesso, em que tudo é permitido para o açoite do homem e a matança da natureza.


Não temos porque nos render a esta história trágica e covarde, praticada contra o nosso meio-ambiente, e quando vozes se levantam, são abafadas pelo bafejado e sonoro argumento que “tudo gera emprego e trabalho”. Isto mesmo! Queremos trabalho com empresas sérias, que tenham licenciamento, que trabalham com a proteção ambiental e que tenham, na funcionalidade empresarial, o respeito ao homem tal como à natureza. Qual a diferença, hoje, do homem branco, intoxicado de gesso, do homem preto, intoxicado de carvão, do homem de ontem, intoxicado da escravidão?
Pois bem, nossas matas transformam-se e nossos rios não resistirão a tentação da lavoura irrigada, se tal prática, em tempo hábil, não seja votada na Câmara Municipal proibindo sistematicamente a sua instalação industrial nos três rios, que não suportarão a demanda do “custo-progresso”, dada a fonte de água ser baixíssima na estação seca, que não se recuperará, se degradado na estação chuvosa.


Não sejamos coniventes, quando silenciamos nossas vozes na defesa de nossa Grajaú, quando assistimos o desespero e a raiva estúpida do trepidar das máquinas sobre as nossas matas e o ranger do extrativismo rompendo o nosso subsolo na frenética busca do gesso, mesmo que “lascando” com os nossos riachos, nossas nascentes.
Não se concebe que pagando tudo pode ao IBAMA para o licenciamento de tantas brutalidades contra o nosso meio-ambiente, enquanto que o Ministério do Trabalho, do Meio-ambiente, de Mineração, tanto favorecem e amolecem, enquanto isto, o homem “branco do gesso” estoura o seu pulmão (ressecamento), o homem do carvão, da mesma forma, e os nossos rios não conseguem mais lavar a sujeira de nosso meio-ambiente.


A velha história de defender o meio-ambiente não mais prevalece em nosso meio como ditadura do progresso, temos que enfrentar adotando medidas, a partir de nossos Legisladores locais, proibitivas de irrigação com aproveitamento das águas de nossos rios e a proteção de nossas matas e do nosso subsolo, com vigilância e chancela permanente do Ministério Público para a liberação de qualquer projeto que interfira no meio-ambiente. Enquanto isto, não basta oficializar o Ministério Público Estadual e Federal, mas cobrar de suas funções constitucionais, urgentemente, medidas legais sejam tomadas, se é este o seu mister.


Grajaú - MA, 04 de outubro de 2.007

Por: João Batista Santos Guará


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